A Rede Portuguesa de Data Stewards(RPDS) uma iniciativa do projeto Re.Data, promoveu uma sessão dedicada aos cadernos electrónicos de laboratório – Electronic Laboratory Notebooks (ELNs), confirmando o avanço de uma comunidade nacional articulada em torno destes instrumentos digitais de registo de investigação.
A investigadora, com vasta experiência em ELNs, no registo de processos, dados FAIR e tecnologias semânticas, sublinhou o facto da implementação de um ELN ir muito além da aquisição de licenças, pois exige tempo, planeamento e uma forte aposta na adesão e capacitação dos utilizadores . Na sua apresentação, explorou estratégias práticas para envolver as equipas, garantir formação contínua e apoiar o uso quotidiano dos sistemas, de forma a que o ELN se torne uma parte integrante e útil da prática laboratorial .
O contributo de Samantha Pearman‑Kanza sobre a adoção de ELNs é particularmente relevante num momento em que as instituições e equipas nacionais começam a consolidar práticas e a trocar experiências de implementação.
Estas iniciativas, que se irão repetir ao longo deste ano, mostram como o ecossistema português está a estruturar redes, recursos e formação específica para apoiar a adoção sustentada de cadernos electrónicos de laboratório.
This session will focus on Electronic Laboratory Notebooks (ELNs), highlighting national initiatives: active working group/ community-building effort in this area and international perspectives on adopting ELNs in research environments.
Agenda
Opening & Welcome – Portuguese Data Stewards Network (RPDS)
Ongoing National Activities on Electronic Laboratory Notebooks -Working Group on Training and Skills for FAIR Data Management (André Viera – University of Minho); –eLabFTW Portugal Community (Maria Paola Tomasino – CIIMAR. UP)
International Prospective: “One Does Not Simply ‘Adopt’ an ELN” (Samantha Pearman-Kanza – University of Southampton)
Discussion & Q&A
Closing Remarks
One Does Not Simply ‘Adopt’ an ELN. Abstract : Implementing Electronic Lab Notebooks (ELNs) is a complex and time‑intensive process that involves far more considerations than simply purchasing licenses. One of the most frequently overlooked components of this process is user adoption. Even the most advanced and well‑configured ELN will fail to deliver value if users are not effectively engaged, trained, and supported throughout the implementation and beyond. This talk will explore key considerations and practical strategies for fostering successful user adoption of ELNs, ensuring that the system becomes an integrated and beneficial part of laboratory practice.
Dr Samantha Pearman-Kanza (University of Southampton) -Short Bio: Dr. Samantha Pearman-Kanza is a Principal Enterprise Fellow at the University of Southampton, the Principal Investigator for the Careers and Skills for Data-driven Research Network (CaSDaR), , the Pathfinder Lead on Process Recording for the Physical Sciences Data Infrastructure (PSDI) Initiative – www.psdi.ac.uk, and a researcher for the AI in Chemistry Hub (AIChemy – www.aichemy.ac.uk). Samantha sits on the Advisory Boards for the Future Labs Live (Basel) and London Labs Live (UK) Conferences, the Machines Learning Chemistry Project (University of Nottingham), the STEP-UP project (Imperial College London), and the Knowledger Project (University of North Florida), and the UK electronic information Group (UKeiG) STRIX Committee. She is also the Faculty Deputy Chair of the Ethics Committee and sit on the Steering Committee for our brilliant Chemistry and Chemical Engineering Enterprise Solutions. Samantha’s key research areas are ELNs, process recording, FAIR data, data stewardship and research data management, and semantic web technologies.
As redes europeias de data stewards estão a consolidar-se como estruturas essenciais para apoiar a gestão de dados de investigação num ecossistema científico cada vez mais orientado para os princípios FAIR e para a Ciência Aberta. Em vários países, estas redes assumem um papel estratégico na capacitação de profissionais, no desenvolvimento de políticas e na criação de infraestruturas de suporte. Entre estas iniciativas, a Rede Portuguesa de Data Stewards tem-se afirmado como um exemplo particularmente dinâmico e em rápido desenvolvimento, recebendo crescente visibilidade em eventos e relatórios internacionais.
🌍 Um movimento europeu em expansão
A criação de redes nacionais de data stewards tem sido impulsionada por iniciativas europeias ligadas à Ciência Aberta, com destaque para projetos como o EOSC Focus e grupos especializados como o Professionalising Data Stewardship Interest Group da Research Data Alliance. Este grupo coordena várias task groups dedicadas a temas fundamentais, incluindo perfis profissionais, carreiras, formação, certificação e redes de conhecimento como a TG7, centrada precisamente em networking e troca de experiências entre data stewards a nível internacional.
Em paralelo, países como a Irlanda têm investido na criação de redes formais, como a Sonraí – Irish Data Stewardship Network, estabelecida com financiamento nacional e cujo objetivo é consolidar competências e desenvolver o ecossistema FAIR de forma sustentável.
Estas iniciativas mostram que a profissionalização da gestão de dados deixou de ser um tema emergente para se tornar uma prioridade estrutural no panorama europeu de investigação.
Portugal assume destaque crescente na área
A Rede Portuguesa de Data Stewards tem vindo a destacar-se pela sua organização, visibilidade e capacidade de mobilização da comunidade nacional. Formalizada no contexto das atividades Re.Data, a rede integra profissionais de diversas instituições e tem ganho relevância através de apresentações em eventos europeus e da produção de documentos estruturantes.
🤝 Cooperação entre redes: o valor da internacionalização
A ligação entre redes nacionais é promovida, entre outros espaços, pela TG7 do grupo da RDA, que atua como ponto de encontro para comunidades internacionais de data stewards.
A partilha de práticas, o desenvolvimento de materiais comuns e o reconhecimento mútuo de competências têm permitido fortalecer a identidade profissional dos data stewards e acelerar a adoção de práticas FAIR.
Nesse contexto, a atuação portuguesa tem sido reconhecida, integrando discussões, contribuindo para relatórios, exemplos abaixo, e acolhendo iniciativas de disseminação que elevam o perfil da rede a nível europeu.
Sharma, C. J. M., Holmstrand, K. F., Rauste, P., Ekman, O., Rebernig-Hedman, C. A., Fogtmann-Schulz, A., Drachen, T. M., Vlachos, E., CALDONI, G., Boavida, C. P., Eerland, A., Brinkman, L., Pasquale, V., Osmenaj, E., Rainer, H., Ritschard, E., & Kiesel, M. (2025). M6.2 New Professional Networks.
A Rede Portuguesa Da Data Stewards continua a crescer, contando já com 107 membros em todo o país, e destacou-se em 2025 com a realização de um workshop nacional sobre ELNs, um inquérito nacional aos profissionais de apoio à gestão de dados e a apresentação pública de um perfil emergente de competências para data stewards.
Para 2026, estão previstas cinco sessões temáticas, incluindo um evento pré‑Fórum GDI, sendo que a próxima, em março, será dedicada aos electronic laboratory notebooks.
O projeto mobilizou centenas de participantes de vários pontos do país para sessões intensivas de formação, nomeadamente, workshops, bootcamps, webinars. Foi ultrapassada a marca dos 1500 participantes nas séries de webinars. Estes números reforçam o papel do Re.Data como referência nacional na capacitação em Ciência Aberta (CA) e Gestão de Dados de Investigação (GDI).
O programa de especialização profissional para curadores de dados, gestores de repositórios e data stewards destacou-se como um dos eixos centrais, contribuindo para a profissionalização de perfis-chave na infraestrutura nacional de GDI. Neste, enquadram-se as duas edições do Workshop de fundamentos da curadoria de dados – especialização para bibliotecários de dados e profissionais de informação, o Workshop dedicado a questões jurídicas, proteção de dados e licenças e o Bootcamp de formação de Data Stewards, reunindo mais de 130 participantes, selecionados entre cerca de duas centenas de candidaturas.
Na vertente de formação de formadores, o Re.Data organizou o Bootcamp de Formação de Formadores em Ciência Aberta e o Workshop de Instrutores de Data Stewards, capacitando vários profissionais no território nacional, que se propuseram a replicar a oferta formativa recebida nas instituições de ensino superior e centros de investigação.
Entre Coimbra e Bragança, estas iniciativas envolveram mais de 60 participantes, selecionados de um total de 94 inscritos, que passam agora a integrar um núcleo estratégico de formadores alinhado com o desenvolvimento da Rede Portuguesa de Data Stewards, prevista no roteiro como estrutura de suporte continuado à comunidade.
Para investigadores, doutorandos e coordenadores de projeto, o ReData promoveu um plano de workshops sobre utilização de cadernos de laboratório eletrónicos, boas práticas de gestão de dados, publicação de dados FAIR por áreas disciplinares e conhecimentos de integridade e ética na gestão e partilha de dados. Os dados de monitorização apontam para mais de 600 inscrições, com um total de cerca de 450 participantes efetivos nestas ações, evidenciando uma procura crescente por competências em planeamento da gestão de dados, preparação e publicação de dados FAIR e tratamento de dados sensíveis ao longo do ciclo de vida da investigação.
Osciclos de webinars temáticos foram determinantes para alargar o alcance do Re.Data, contando com cerca de 1800 inscrições, das quais se efetivaram mais de 1500 participações. Destacam-se a série de webinars Love Data Week, as séries sobre novos perfis e competências – Open Access Week e a série que abordou a proteção de dados em projetos de investigação.
Estes números sustentam a próxima fase de implementação: o lançamento de dois MOOCs (massive open online courses) – em dados FAIR e dados sensíveis – na plataforma NAU e o crescimento contínuo do Skills Builder Hub, que irá agregar dezenas de recursos de aprendizagem, casos de uso, tutoriais e ferramentas, para apoiar as boas práticas de GDI.
Este grande número de iniciativas concretizadas, em parceria com o elevado volume de participantes coloca o projeto numa posição privilegiada na capacitação da comunidade em CA e GDI, em Portugal, bem como na preparação de instrutores preparados para replicarem juntos dos seus investigadores e unidades de investigação e desenvolvimento, as melhores práticas de GDI.
Em paralelo com a dinamização da Rede Portuguesa de Data Stewards, na realização de reuniões da Assembleia Geral com os centros de competência financiados pela FCT-FCCN e na organização de InfoSessions sobre a EOSC(European Open Science Cloud) reforça o cumprimento das metas de governança e apoio às redes nacionais, previstos para 2025.
O workshop “Utilização de Cadernos de Laboratório Eletrónicos e Documentação de Dados” (2.ª edição), integrado no roteiro formativo do projeto Re.Data, destacou-se pela relevância estratégica do tema para a comunidade de investigação nacional. A sessão contou com uma componente teórica e expositiva em formato online, que decorreu em simultâneo com a sessão presencial, o que permitiu alargar o alcance da iniciativa e envolver profissionais de diversas instituições de ensino superior e de investigação em Portugal.
Ao longo da sessão, foram apresentadas e discutidas as principais potencialidades dos cadernos de laboratório eletrónicos, utilizando como exemplo prático a ferramenta ElabFTW, enquadrando a sua utilização nas boas práticas de gestão e documentação de dados de investigação. A formação contribuiu para sensibilizar investigadores, data stewards e outros profissionais de apoio à GDI, para a importância da transição de processos analógicos para soluções digitais robustas, alinhadas com os princípios da Ciência Aberta e a promoção de dados FAIR. A apresentação deste software contou com uma demonstração do seu funcionamento e a possibilidade dos participantes fazerem as suas descobertas em ambiente de teste.
A elevada adesão ao workshop e o dinamismo da participação reflete o interesse crescente das instituições na adoção de novas soluções tecnológicas que promovam a rastreabilidade, a segurança e a qualidade da informação produzida, em contexto laboratorial. Desta ação resultaram contactos promissores com várias organizações do sistema científico e de ensino superior, que manifestaram abertura para aprofundar a implementação desta ferramenta de referência para registo e documentação de dados.
Esta iniciativa reforçou o papel do Re.Data enquanto catalisador de práticas inovadoras na gestão de dados de investigação e evidencia a importância de ações formativas dirigidas a diferentes perfis profissionais. Ao longo de 2025, o projeto promoveu várias oportunidades de capacitação e colaboração que apoiem as instituições portuguesas, apoiando a consolidação de infraestruturas e práticas alinhadas com o Programa Nacional de Ciência Aberta e com a valorização dos dados científicos.
O Re.Data disponibiliza uma sessão expositiva acessível online, a decorrer no período da manhã, em simultâneo com o workshop presencial, sobre a utilização de cadernos de laboratório eletrónicos e documentação de dados, permitindo que interessados que não consigam assistir ao workshop completo em formato presencial, possam acompanhar a parte expositiva remotamente.
A sessão presencial, que decorre ao longo de todo o dia, oferece uma experiência mais completa, incluindo atividades práticas, casos de estudo e interação direta com formadores. Por sua vez, a sessão online disponibiliza acesso aos conteúdos expositivos, para garantir maior acessibilidade e flexibilidade, sem requisitos prévios de conhecimento, dirigida a data stewards, investigadores, técnicos e profissionais de apoio à investigação.
Esta iniciativa reforça o compromisso do Re.Data em promover a capacitação especializada, permitindo a ampliação do alcance formativo e o desenvolvimento de competências essenciais para a gestão e documentação de dados científicos, com ênfase nas boas práticas que o software eLabFTW possibilita.
Para mais informações: https://redata.pt/cursos/workshop-utilizacao-de-cadernos-de-laboratorio-eletronicos-e-documentacao-de-dados-2a-ed/
Formulário de inscrição na sessão presencial (10h00-17h00): [LINK]
Formulário de inscrição na sessão online (10h00-13h00): [LINK]
Já foi publicado o primeiro “Relatório sobre a operacionalização da Rede Portuguesa de Data Stewards” na nossa comunidade Zenodo. Este é um marco importante para o projetoRe.Data, uma vez que destaca o papel inovador da Rede Portuguesa de Data Stewards (RPDS) que pretende promover a gestão colaborativa de dados de investigação em Portugal.
A RPDS foi criada para com o objetivo de consolidar e fortalecer uma comunidade de profissionais dedicados ao apoio à gestão de dados científicos, promovendo colaboração entre instituições, formação contínua e partilha de boas práticas. Com uma estrutura organizacional participativa e sem custos de adesão, é através do envolvimento dos seus membros nas reuniões regulares que se pretende organizar sessões online e eventos que respondam às suas necessidades de cada um..
No relatório, é possível consultar com detalhe o modo de organização, funcionamento e plano de atividades da Rede, evidenciando o compromisso do Re.Data com a modernização e internacionalização das práticas de gestão de dados científicos. Este relatório é um entregável do projeto Re.Data, que tem vindo a impulsionar a gestão responsável e eficiente dos dados de investigação em Portugal. Para consultar, basta aceder a https://zenodo.org/records/16571614
Decorreu no dia 26 de junho, no Iscte, a primeira edição do Workshop “Utilização de Cadernos de Laboratório Eletrónicos e documentação de dados“.
A sessão contou com a participação de 31 pessoas e foi dinamizada por Tiago Paixão, Head of Advanced Data Analysis do Gulbenkian Institute for Molecular Medicine (GIMM).
Todos os participantes tiveram a oportunidade de conhecer e testar as funcionalidades, vantagens e limitações do software eLabFTW, ficando evidente a necessidade premente de uma instância nacional de um software de cadernos de investigação eletrónicos ou, em alternativa, de um compromisso político por parte das instituições para a instalação e disponibilização de ferramentas que possam suprir essa carência junto das suas comunidades.
No passado dia 11 de junho, no âmbito da conferência final do projeto Skills4EOSC, a Rede Portuguesa de Data Stewards esteve em destaque na sessão sobre Redes de Apoio à Gestão de Dados, apresentada por Curtis Sharma.
Este projeto tem acompanhado os desenvolvimento da Rede Portuguesa de Data Stewards disponibilizando apoio e documentação sobre a organização, funcionamento e sustentabilidade de redes de profissionais de apoio à gestão de dados de investigação.Saiba mais sobre a Rede Portuguesa de Data Stewardse juntem-se a nós!
A Rede Portuguesa de Data Stewards, coordenada pelo consórcio ReData, está a promover um inquérito nacional sobre o papel dos profissionais de apoio à gestão de dados de investigação – os chamados Data Stewards.
Sabemos que, em Portugal, as funções destes profissionais assumem diferentes formas consoante o contexto, mas partilham sempre o mesmo objetivo: apoiar a gestão de dados de investigação.
Para nos ajudar a compreender as diferentes abordagens existentes em Portugal, convidamos todos os profissionais cujas funções estão relacionadas com o apoio à gestão de dados de investigação, a participar neste estudo, contribuindo para uma melhor compreensão das práticas e realidades existentes no panorama nacional.
A participação consiste no preenchimento de um breve questionário, cuja duração estimada é de cerca de 10 minutos, acessível através do seguinte link: Questionário
O apoio da comunidade na disseminação deste questionário é de inestimável importância para o sucesso deste estudo e para o fortalecimento da comunidade nacional de apoio à gestão de dados de investigação. Contamos com a sua participação!
Texto publicado em nome: Clara Boavida (ISCTE), membro do consórcio ReData