O projeto ReDATA está a reunir e partilhar casos de uso reais que demonstram boas práticas na gestão de dados em diferentes áreas científicas e contextos institucionais.

Boas práticas e casos de uso em GDI

Estes casos demonstram como investigadores e equipas de apoio estão a planear, organizar, curar e publicar os seus dados de forma eficaz, contribuindo para um ecossistema de investigação mais aberto, responsável e reutilizável.

Ao partilhar estas experiências, pretende-se:

  • Inspirar a adoção de práticas sustentáveis e alinhadas com os princípios FAIR;
  • Valorizar o papel do planeamento e da curadoria de dados desde o início dos projetos;
  • Reforçar a colaboração entre investigação e serviços de apoio técnico;
  • Criar um catálogo de boas práticas que possa ser replicado noutras instituições.

Consulte os casos já disponíveis:

SAIL – Space-Atmosphere-Ocean Interactions in the marine boundary Layer: os dados no centro do projeto e o plano de gestão de dados como guia

Playback the music of the brain: contributo da reutilização e partilha de dados de investigação para a descodificação de emoções provocadas pela música

Projetos do LIBPhys-UNL: relevância dos dados de investigação relativos a estruturas atómicas para a construção de instrumentos de elevada precisão

De que forma o campo electro-magnético interfere no clima terrestre? 

Como medi-lo em contexto oceânico? 

O que fazer aos dados, quando não há possibilidade de estudá-los no contexto do projeto?

Porque é o Plano de Gestão de Dados um documento imprescindível?

DESCRIÇÃO

O projeto SAIL – Space-Atmosphere-Ocean Interactions in the marine boundary Layer é, por definição, um projeto centrado na recolha de dados científicos, fundamental para a compreensão das interações entre a radiação proveniente do espaço e a atmosfera terrestre, desenvolvido em ambiente oceânico.

A investigação centra-se na medição, através de instrumentos de precisão e da aplicação de tecnologia avançada, do campo electro-atmosférico — um fenómeno que se encontra sempre presente na natureza, mesmo em tempo seco e sem trovoada —, e que é particularmente difícil de medir em terra. Esta variável é um importante indicador global do clima terrestre, especialmente num contexto das alterações climáticas globais.

A iniciativa surgiu de forma inusitada e colaborativa, aproveitando a viagem de circum-navegação do navio-escola Sagres em 2020, que ofereceu uma oportunidade inédita para integrar ciência a bordo, permitindo a recolha de dados em locais remotos e de difícil acesso.

Historicamente, foram realizadas campanhas semelhantes no início do século XX, com destaque para os dados obtidos por cientistas britânicos entre 1907 e 1920, a bordo do navio Carnegie. Contudo, desde essa época, o campo elétrico não voltou a ser medido de forma sistemática, em contexto marítimo.

Devido às suas características únicas e à sua relevância do ponto de vista climático, bem como ao volume de dados cuja análise pode prolongar-se por muitos anos, o projeto tem como objetivo imediato a recolha, documentação e preservação, mas também a partilha sistemática de dados de forma a que outros investigadores possam usá-los, existindo um compromisso evidente do projeto com a Ciência Aberta.

TRÊS LIÇÕES APRENDIDAS

Tratando-se de um projeto com enfoque nos dados, todas as ações que permitiram aprender a estruturar dados com vista à sua partilha imediata foram fulcrais.

O Plano de Gestão de Dados (PGD) como documento vivo e estruturante

Ao contrário do que é habitual em muitos projetos, o PGD do SAIL foi elaborado antes do início da campanha. Essa antecipação revelou-se essencial, não apenas como formalidade, mas principalmente como uma ferramenta de trabalho dinâmica, constantemente atualizada. Na realidade, tornou-se uma espécie de pré-data paper, facilitando não só o acesso aos dados, como também a sua interpretação e reutilização.

Um repositório adequado para cada processo de dados

A necessidade de lidar com versões múltiplas de datasets em constante atualização exigiu a adoção de um sistema de repositório robusto e com possibilidade de versionamento. 

A experiência com CKAN, embora útil, mostrou limitações na gestão de dados em evolução, reforçando a necessidade de ferramentas que acompanhem a mutabilidade e a complexidade dos dados. 

O Zenodo demonstrou ser uma opção adequada num processo de investigação altamente dinâmico.

O valor dos dados não estruturados e da observação informal

A ausência de registos não instrumentados — como observações visuais, contextos ambientais ou acontecimentos inesperados — evidenciou uma lacuna crítica: o que atualmente existe em termos tecnológicos é exponencial no que se refere ao conhecimento gerado, mas tende a deixar de lado um manancial de dados circunstanciais, assumidamente difíceis de sistematizar. Por exemplo, informações como relâmpagos observados no decurso das expedições, mas não anotados pelos instrumentos, provaram que a informalidade pode ser científica e necessária.

Contudo, é necessário conseguir soluções para a recolha, registo e partilha destes dados de investigação, equilibrando a sofisticação contemporânea com o valor do registo qualitativo do passado.

TRÊS DESAFIOS FUTUROS

Volume e preservação de dados

Com uma produção de cerca de 10 GB por dia, o projeto enfrenta um desafio significativo no que diz respeito à curadoria e seleção dos dados a serem mantidos a longo prazo. A premissa inicial tem sido a de preservar todos os dados recolhidos, com a justificação de que informações que atualmente podem parecer irrelevantes podem tornar-se cruciais para futuras investigações. 
No entanto, o projeto revelou que esta abordagem de armazenamento indiscriminado é insustentável a longo prazo, tanto em termos de capacidade de storage quanto de eficiência na gestão dos dados, pelo que a questão sobre que datasets preservar é um tema emergente – e, sem dúvida, complexo – neste caso.
 

Organização e partição dos dados

A organização e partição dos dados de um projeto científico de longa duração, especialmente aqueles que se estendem por vários anos e abrangem múltiplas localizações geográficas, é um desafio igualmente complexo que requer uma abordagem meticulosa e sistemática. A distribuição e estruturação eficazes dos dados são essenciais para garantir o acesso por outros investigadores e a sua reutilização.

Uma das primeiras considerações na organização dos dados é a escolha do critério de partição. Existem várias abordagens possíveis, cada uma com suas vantagens e desvantagens.  

A organização por viagens, por exemplo, pode ser útil para projetos que envolvem expedições a diferentes locais, como é o caso. Esta abordagem permite agrupar os dados recolhidos durante cada viagem, facilitando a análise temporal e espacial dos resultados. No entanto, pode tornar-se confusa quando as viagens são frequentes.

Outra abordagem é a organização por datas. Esta metodologia é particularmente útil para uma análise cronológica detalhada, permitindo rastrear mudanças e tendências ao longo do tempo. No entanto, a simples organização por datas pode não ser suficiente para quando se envolvem múltiplas variáveis e localizações, necessitando de uma estrutura adicional para evitar a fragmentação dos dados.

A organização por áreas geográficas é outra opção viável, especialmente quando se abordam múltiplos ecossistemas, facilitando a comparação entre diferentes locais e a identificação de padrões espaciais. No entanto, pode ser menos eficaz para a análise temporal.

Entre organizar por viagens, datas ou áreas geográficas, a preocupação é evitar estruturas confusas para futuros utilizadores.

Garantir a reutilização efetiva dos dados partilhados

Partilhar dados não significa torná-los automaticamente úteis para outros investigadores e projetos. É necessário contextualizá-los, garantir a presença de metadados significativos e disponibilizar documentos auxiliares como o PGD para que a reutilização seja real e produtiva.

Estes elementos são essenciais, contribuindo para o avanço do conhecimento científico e a promoção de uma cultura de colaboração e transparência na Ciência.

CINCO QUESTÕES SOBRE GDI

Como define, implementa e avalia as práticas de gestão de dados de investigação?

As práticas de gestão de dados de investigação foram definidas num momento muito precoce do projeto. Desde o início, o PGD não foi considerado documento de arquivo, de satisfação das exigências dos financiadores, mas sim uma ferramenta ativa, estruturante e refletora das alterações do próprio projeto. A sua implementação exigiu tempo, trabalho e múltiplas versões, mas tornou-se um pilar científico tão importante quanto a recolha de dados em si. Por outro lado, o versionamento foi ele próprio um elemento que possibilitou avaliação do processo.

Quais os principais benefícios dessas práticas?

Apesar das práticas baseadas no PGD serem trabalhosas, os benefícios são evidentes: maior organização, partilha mais eficaz e potencial para reutilização científica por terceiros. No entanto, reconhece-se que mesmo com cuidados extremos, falhas acontecem — mas estas podem ser corrigidas se a gestão de dados for bem documentada e aberta.

Em que medida a gestão de dados de investigação contribui para a otimização do processo de investigação?

No contexto do SAIL, a gestão de dados não é uma otimização, é a própria investigação! Recolher, tratar, documentar e partilhar dados é parte do método científico e não uma tarefa auxiliar. Tal como a redação de um artigo exige reinterpretação dos dados, a sua gestão é um processo contínuo de análise, reflexão e estruturação.

Que vantagens e condicionantes aponta na partilha de dados de investigação?

As vantagens da partilha são inegáveis! Num projeto com esta dimensão, a dificuldade de analisar os dados e de elaborar produtos científicos com os seus resultados é real.

Nem sempre, no contexto científico, a partilha é vista com bons olhos, mas se os dados não forem partilhados, corre-se o risco de ficarem, longos anos, sem uso, condicionando o progresso científico nesta área de conhecimento. Recorde-se que estes dados têm um carácter único.

Tendo em consideração a tipologia de dados, não existem condicionantes de partilha a salientar.

De que forma os diferentes atores envolvidos no processo de investigação estão comprometidos com a gestão de dados de investigação?

A colaboração com a Marinha foi exemplar na abertura e na valorização da observação — incluindo a não instrumentada. Efetivamente, a Marinha está habituada a partilhar dados – dados muito detalhados e baseados em trabalho de recolha pormenorizado e não automático. O perfil de cooperação que caracteriza estas forças é determinante neste sentido.

Em contraste, em alguns contextos académicos, ainda existe resistência à partilha de dados, ligada à autoria ou à competição entre projetos e investigadores.

Porém, instituições como o INESC TEC demonstram forte envolvimento e competência técnica na área, oferecendo apoio e validação contínuos. 

Aconteceu no passado dia 6 de junho uma sessão de esclarecimento on-line, sobre a European Open Science Cloud (EOSC). Contou com a presença de mais de 80 participantes. Esta sessão enquadra-se  no Roteiro de Formação do projeto ReData, e pretendeu desmistificar vários conceitos associados à EOSC.

Na primeira parte da sessão foi feita uma breve apresentação do projeto ReData aos participantes, pela voz do coordenador do projeto – Pedro Príncipe (Universidade do Minho), destacando os  objetivos  alinhados com as orientações da EOSC.

Contou-se ainda com o testemunho de Jorge Noro (Universidade de Coimbra – membro associado da EOSC), co-coordenador do projeto, que elencou as vantagens, múltiplas ações e resultados da UC através do seu   envolvimento nas iniciativas promovidas pela EOSC.

O painel de oradores convidados contou com a presença de João Mendes Moreira, (FCCN – serviços digitais da FCT), organização mandatada para a EOSC, por Portugal, tendo apresentado as várias linhas de atuação, bem como o seu papel na concretização da parceria com a EOSC. 

Marcou presença a oradora convidada, Isabel Caetano (Senior Stakeholder Engagement and Outreach Officer da EOSC), que apresentou:

  • A estrutura de governança da EOSC, a colaboração tripartida e a parceria com o Horizonte-Europa, bem como os , os pilares estratégicos e o papel dos nós.
  • O trabalho desenvolvido no âmbito dos projetos INFRAEOSC;
  • Os membros, task-forces, grupos de trabalho e próximos eventos.

Reveja os conteúdos apresentados AQUI.

Esta sessão contribuiu para se dar um passo em frente, na transposição da realidade europeia para as realidades locais e nacionais, aspirando a que a Ciência Aberta seja um “novo normal” no quotidiano da realidade portuguesa.

No âmbito do Roteiro de Formação do consórcio ReData, estão agendadas três edições do workshop – Fundamentos da curadoria de dados: especialização para profissionais de apoio à investigação.

A primeira edição irá decorrer já no mês de junho, sendo que os candidatos selecionados já foram contactados para confirmarem a sua aceitação.

Se deixou passar esta oportunidade, inscreva-se nas próximas edições, onde lhe for mais conveniente:

  • 2ª edição – Coimbra | 3 de outubro – candidaturas abertas a partir de 2 de junho
  • 3ª edição – Braga | 12 de dezembro – candidaturas abertas a partir de 15 de setembro

Esperemos vê-lo numa destas sessões!Para ficar a conhecer as restantes formações do projeto, consulte a nossa agenda. E para não se esquecer das datas, associe o nosso calendário!

O que muda no nosso cérebro quando ouvimos diferentes tipos de música?

Que emoções a música provoca?

Que papel pode ter a música na neurorreabilitação?

Qual o impacto dos dados na melhoria das condições de saúde dos doentes? 

DESCRIÇÃO

Na última década, a Universidade de Coimbra tem trabalhado na utilização da imagem médica como ferramenta de neurorreabilitação. Neste contexto, é essencial encontrar interfaces que permitam perceber como é que o cérebro interpreta determinados estímulos e quais as reações que estes provocam.

Aproveitando as sinergias internas e a experiência adquirida, o projeto Playback the music of the brain – decoding emotions elicited by musical sounds in the human brain, tem como objetivo estudar os correlatos neuronais da música, isto é, a forma como o cérebro interpreta estímulos musicais, encontrando um modelo de codificação entre as dimensões ou atributos da música e as zonas cerebrais relacionadas às emoções que são ativadas quando ouvimos música.

Inicialmente, é utilizada uma base de dados de música pré-catalogada mediante o modelo de Rusell para identificar pela imagem médica, primeiro através da ressonância magnética funcional e, posteriormente, usando a espectrometria funcional com luz infravermelha – fNIRS (menos invasiva e onerosa) as regiões do cérebro (ou circuito cerebral) envolvidas nesse processo.

Numa segunda fase, o trabalho centra-se nas emoções sentidas: o exercício é usar a descodificação do sinal neuronal para descobrir a associação entre audição da música a uma das nove emoções, de acordo com a Gems Geneva Emotional Music Scale (GEMS), baseada também numa base de dados própria.

Tornando a experiência mais imersiva, o feedback é mais intuitivo e agradável, contribuindo para a melhoria de resultados na neurorreabilitação.

TRÊS LIÇÕES APRENDIDAS

Os vários modelos usados, a reutilização de bases de dados, externas à instituição (por exemplo, as decorrentes dos modelos) e internas, mas pertencentes a grupos de investigação de outras áreas (é o caso da área da Musical Information Retrieval) e o trabalho colaborativo com outras universidades, nomeadamente com a Universidade de Maastricht que possibilitou criar um dataset bastante compreensivo para o uso da técnica fNIRS (a ser disponibilizado, também, publicamente), resultaram no uso de uma abordagem aos dados transparente e sistematizada.

Impactos da padronização na gestão de dados

A definição de standards para a gestão dos dados em todo o ciclo de vida verificou-se crucial para garantir a consistência e a qualidade do ecossistema, permitindo a validação dos próprios datasets, mas também potenciou o desenvolvimento de ferramentas de processamento de dados com linguagens comuns que podem acelerar drasticamente o processo de investigação.

Relevância do trabalho interdisciplinar convergente

O trabalho convergente de diferentes disciplinas e áreas de conhecimento – música, computação, biomedicina, entre outras, enriqueceu o processo de gestão dos dados e resultou na reutilização de dados partilhados e na partilha de dados recolhidos, possibilitando a comprovação de resultados do processo de investigação e a reprodutibilidade.

Há sempre que aprender!

A participação na definição de um modelo de consentimento informado para a recolha e a utilização de dados de imagem cerebral é apenas um dos exemplos possíveis – no âmbito deste projeto – da expansão de conhecimento e da participação ativa e contínua dos investigadores na gestão de dados de investigação.

TRÊS DESAFIOS FUTUROS

A definição de políticas corresponde ao principal desafio!

As soluções técnicas e os standards existem e, como tal, muitos componentes do processo poderiam ser automatizadas, por exemplo, a partir do plano de gestão de dados que, para além de tudo, é uma ferramenta de avaliação e monitorização do próprio Estado em relação à Ciência. Com o desenvolvimento de um plano de gestão de dados, a história pode ficar já toda contada.

Políticas que permitam o investimento por parte dos investigadores nas fases iniciais do ciclo de vida dos dados e na automatização de processos, têm um potencial de rentabilidade exponencial.

A colaboração com instituições-referência na GDI e a interoperabilidade

O trabalho desenvolvido com outras instituições com muita experiência na gestão de dados de investigação exige velocidade de processamento, para que se possa partilhar dados de forma ecológica e com impacto societal. A interoperabilidade é, assim, um elemento-chave para que se possa acompanhar, com consequência, a Ciência desenvolvida em parceria.

O desafio particular na área clínica

No caso da área clínica é premente que a comunidade clínica perceba a mais-valia da gestão de dados de investigação. Apesar da epidemia por COVID-19 ter trazido algumas alterações a este nível e ter tido impacto na abertura de dados, este ainda é um tema com especificidades na biomedicina. Na Universidade de Coimbra, o contexto é mais favorável devido à proximidade com o ambiente hospitalar, mas nem sempre assim é. Contudo e de uma forma geral, nota-se nas gerações mais jovens uma maior sensibilidade para a questão dos dados.

CINCO QUESTÕES SOBRE GDI

Como definem, implementam e avaliam as práticas de gestão de dados de investigação?

A definição do plano de gestão de dados funciona como pré-registo do processo de investigação e é essencial. Tornar este momento inicial o mais automatizado permite aumentar eficácia e, também, a transferibilidade, ou seja, a possibilidade de outro grupo de investigação reproduzir o processo, sem ter de voltar a percorrer todo o caminho. A automatização facilita, assim, a interoperabilidade que resulta numa forma mais ecológica de partilha de dados, sem dispêndio de dinheiro para a validação de paradigmas. A avaliação, por sua vez, é um trabalho constante.

Quais os principais benefícios dessas práticas?

Os benefícios da aplicação de (boas) práticas de gestão de dados de investigação são evidentes: desde logo, a sistematização através do uso de standards nas várias fases que permite a automatização de rotinas e potencia a interoperabilidade; por outro lado, imprimem à Ciência transparência, dado que é muito mais fácil e rápido a validação dos dados e a reprodutibilidade da investigação.

Em que medida a gestão de dados de investigação contribui para a otimização do processo de investigação?
A otimização é conseguida através do investimento na fase de planeamento. É nesta fase que a gestão de dados é pensada no sentido da melhoria de forma que seja possível alcançar o paradigma de qualidade pretendido. Garantir este investimento, sempre que a pressão do processo de investigação é, de algum modo, aliviada, é essencial para a otimização posterior!
Que vantagens e condicionantes apontam na partilha de dados de investigação?

No caso particular, a partilha de dados de investigação permitiu a utilização de datasets da área da música para a validação de uma técnica de imagem médica. Quem produziu os dados de música, estaria longe de pensar que os mesmos poderiam ser usados numa área de conhecimento tão distinta, mas a abertura com que os disponibilizou, permitiu essa aplicação: “Este facto completamente aleatório já valida a importância de ter um dataset público”.

Por outro lado, através da partilha é possível igualmente ir comparando os resultados da investigação com dados oriundos do estudo de outras populações. A possibilidade de comparação traz à comunidade científica enormes vantagens ao permitir a validação. Por exemplo, o neurofeedback com dados de imagem cerebral já está validado nos Estados Unidos e a FDA aprovou a sua aplicação em algumas patologias. Também nos Países Baixos, estas técnicas são usadas e financiadas pelos sistemas públicos de saúde.

De um ponto de vista geral, é indiscutível que a abertura dos dados potencia, nestas áreas de conhecimento a passagem mais célere e sustentada (no sentido da validação) de fases mais experimentais a fases mais concretas e aplicadas.
Relativamente às condicionantes, elas são vistas não como limitações, mas como desafios a ultrapassar. Naturalmente, que trabalhando com dados pessoais e dados sensíveis, é necessário trabalhar com as Comissões de Ética e procurar os instrumentos mais adequados à população estudada. No caso, para além da anonimização de dados, o tratamento da imagem médica de forma a não ser possível reconhecer a face dos participantes foi um cuidado acrescido.

De que forma os diferentes atores envolvidos no processo de investigação estão comprometidos com a gestão de dados de investigação?

Os investigadores estão crescentemente envolvidos na gestão de dados, porque encaram-na como uma mais-valia para a sua investigação. Nem sempre, a pressão existente para apresentar resultados permite o investimento necessário na fase inicial de gestão, como seria desejável. Promover uma cultura de gestão de dados é crítico e depende muito dos decisores políticos entenderem esta área como prioritária e, na sequência, aliviar essa pressão para que seja possível gerir dados com a aplicação de boas práticas e num momento muito precoce da investigação, ou seja, ainda antes da aquisição dos mesmos.
No caso da área clínica, a ligação entre a academia e os profissionais de saúde tem vindo a ser reforçada e, apesar de existir ainda alguma resistência, os clínicos mais jovens começam a perceber o potencial da partilha dos dados (bem geridos) e os impactos, em termos de saúde, que essa partilha poderá ter nos seus pacientes.

Na semana passada, o Convento de São Francisco,em Coimbra, acolheu as Jornadas da FCCN 2025 onde o consórcio Re.Data marcou presença. Estas jornadas são um ponto de encontro para comunidades de gestores e utilizadores dos serviços digitais disponibilizados pela FCCN.

Durante o evento, foram discutidos vários temas atuais e relevantes, como a Ciência Aberta e a Gestão de Dados de Investigação. Assim, e tendo em conta a necessidade de ferramentas de suporte para a Gestão de Dados de Investigação da comunidade, criou-se o espaço para que o projeto ReData fosse apresentado aos diferentes públicos alvo – investigadores, profissionais de informação e bibliotecários, gestores de ciência, data stewards, gestores de repositórios, entre outros.

Alinhado com a missão da FCCN, este projeto foi apresentado em dois momentos durante estas jornadas: no primeiro dia, na sessão de “Uma gestão eficaz dos Dados de Investigação (POLEN)”, e no segundo dia no espaço “Zapping Comunidade”. Em suma, estas sessões permitiram divulgar os principais eixos de atuação deste projeto: políticas, formação, curadoria e estabelecimento da Rede Portuguesa de Data Stewards. Para além da divulgação do Grupo Nacional de Interesse em Políticas e Estratégias de Ciência Aberta que está a ser constituído no âmbito deste consórcio, foram também divulgados os documentos resultantes da atividade do Re.Data, que podem ser úteis à comunidade, nomeadamente  o Roteiro de Formação ou o Quadro de Referência para políticas de ciência aberta e gestão de dados de investigação.

Caso não tenha assistido ao vivo, pode ver o pitch do Coordenador do Consórcio, Pedro Príncipe, aqui: https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:7325874538712338432

 

Por fim, os parceiros do consórcio tiveram a oportunidade de se reencontrar, trocar experiências e fortalecer a rede de contactos.

Continuaremos a trabalhar ativamente para implementar esta rede!

O consórcio Re.Data, no quadro do PNCA DAI e tendo por referência o público alvo desta iniciativa, tem planeado um programa especialização profissional, assim como a disponibilização de recursos de apoio e aprendizagem.

Neste sentido, foi elaborado um Roteiro de Formação, disponível para consulta pública na comunidade da Rede Portuguesa de Apoio à Gestão de Dados, no repositório Zenodo, dando assim, corpo e forma de operacionalização aos objetivos previstos no projeto. Este roteiro  reflete assim as ações e atividades já em curso e a realizar, bem como recursos e materiais de suporte. A concretização deste roteiro, pretende assim responder de forma cabal ao fortalecimento das competências em gestão e curadoria de dados, promovendo a capacitação de profissionais e investigadores, em alinhamento com os princípios FAIR e as melhores práticas da Ciência Aberta (CA). Este roteiro articula estas diferentes perspetivas numa abordagem integrada, abrangendo desde a especialização profissional e ações de sensibilização para investigadores, até à criação de recursos on-line e o desenvolvimento de redes colaborativas, com o objetivo de consolidar um ecossistema de formação robusto e adaptado às necessidades da comunidade científica em Portugal.

Pretende-se assim, não só capacitar os envolvidos na gestão e curadoria de dados, mas também fomentar uma rede colaborativa que sustente a evolução contínua das práticas e competências nestes domínios de intervenção.

Na prática, este roteiro contempla no seu programa de especialização um conjunto de workshops, de séries de webinars, de cursos on-line, além de materiais de apoio e ferramentas específicas que promovem as boas práticas na curadoria de dados e publicação de dados alinhados com os princípios FAIR. 

 

Integrada no roteiro de formação do projeto ReData, o consórcio está a organizar uma nova série temática de webinars.  Nesta edição, pretende-se trazer à discussão os papéis emergentes, as competências essenciais e os desafios enfrentados por quem apoia a gestão e a abertura dos dados de investigação.

Na segunda semana de Maio, apresentamos 3 webinars com focos nos diferentes profissionais envolvidos na gestão de dados de investigação. Consulte abaixo a calendarização e reserve já na sua agenda tempo para conhecer os seus diferentes perfis e competências!

 

 

1.º webinar – 14 de Maio | 12h-13h
Bibliotecários e profissionais de Informação na Gestão de Dados FAIR: novos perfis e novas competências

Oradores:


Público-Alvo. Bibliotecários  e profissionais de informação
Duração. 1h
Inscrição. https://videoconf-colibri.zoom.us/meeting/register/T5QkPpzmT5K4ebSGlc7ahg 

 

 

2.º webinar – 15 de Maio | 12h-13h
Papéis e responsabilidades na gestão dos dados dos centros de investigação: competências e necessidades dos investigadores

Oradores:


Público-Alvo.  Investigadores, Gestores e Técnicos de Laboratório, Responsáveis de Centros de Investigação, Coordenadores de Projetos.
Duração. 1h
Inscrição. https://videoconf-colibri.zoom.us/meeting/register/pPhleSgGSm-OB6KRTM6meQ 

 

3.º webinar – 16 de Maio | 12h-13h
Perfis e Competências em Gestão de Ciência e Abertura de Dados de Investigação.  Gestores de Ciência e Pessoal de Interface de Ciência (PIC)

Oradores:


Duração. 1h
Inscrição. https://videoconf-colibri.zoom.us/meeting/register/BkOxG-cfQk2XURZLJzJVvg 

O Grupo Nacional de Interesse Especial em Políticas e Estratégias de Ciência Aberta, ou National Special Interest Group on OS policies and strategies, reuniu-se pela primeira vez a semana passada, no dia 28 de Março, online. Este foi o primeiro encontro, dos quatro previstos decorrer ao longo do ano e teve como tema “Desafios e oportunidades”. 

As reuniões deste grupo pretendem promover o debate e a sensibilização para os desafios da Ciência Aberta, com especial foco na Gestão de Dados de Investigação. O resultado das reflexões destes/as decisores/as será considerado nos entregáveis esperados do projeto, nomeadamente o quadro de referência para o desenho e implementação de políticas institucionais, o programa de capacitação direcionado a diferentes perfis, estabelecimento  da Rede de Data Stewards e harmonização das boas práticas institucionais e colaborativas. 

O início da reunião contou com uma breve apresentação do projeto aos membros do grupo, detalhando os objetivos do grupo de trabalho das políticas. De seguida, a oradora convidada Pastora Martinez Samper, da Universitat Oberta de Catalunya e European University Association (EUA), abriu a discussão apresentando as estratégias de ciência aberta da EUA. Foi ainda apresentado um modelo lógico que servirá de suporte ao desenvolvimento do quadro de referência, tendo havido ainda partilhas pelas várias instituições representadas. 

Este grupo de discussão resulta do trabalho desenvolvido pelo projeto ReData no âmbito das políticas para gestão de dados de investigação. 

No total, estão representadas 39 entidades, das quais 28 Instituições de Ensino Superior, 10 Centros de Competências e ainda a Fundação Champalimaud e o Gulbenkian Institute for Molecular Medicine (GIMM), representadas por decisores de topo interessados nos desafios da Ciência Aberta e Gestão de Dados de Investigação.

Em Junho, este grupo voltará a reunir-se presencialmente em Coimbra. Até lá, a partilha de opiniões será mantida online, debatendo o tema da reunião Desafios e Oportunidades da Ciência Aberta

 

Primeira reunião do Grupo Nacional de Interesse Especial em Políticas de Ciência Aberta

A Rede Portuguesa de Data Stewards, coordenada pelo consórcio ReData, está a promover um inquérito nacional sobre o papel dos profissionais de apoio à gestão de dados de investigação – os chamados Data Stewards.

Sabemos que, em Portugal, as funções destes profissionais assumem diferentes formas consoante o contexto, mas partilham sempre o mesmo objetivo: apoiar a gestão de dados de investigação.

Para nos ajudar a compreender as diferentes abordagens existentes em Portugal, convidamos todos os profissionais cujas funções estão relacionadas com o apoio à gestão de dados de investigação, a participar neste estudo, contribuindo para uma melhor compreensão das práticas e realidades existentes no panorama nacional.

A participação consiste no preenchimento de um breve questionário, cuja duração estimada é de cerca de 10 minutos, acessível através do seguinte link: Questionário

O apoio da comunidade na disseminação deste questionário é de inestimável importância para o sucesso deste estudo e para o fortalecimento da comunidade nacional de apoio à gestão de dados de investigação. Contamos com a sua participação!

Texto publicado em nome: Clara Boavida (ISCTE), membro do consórcio ReData