A Rede Portuguesa de Data Stewards marcou presença no mais recente Plenário da Research Data Alliance (RDA), onde teve a oportunidade de apresentar o trabalho desenvolvido em Portugal, lado a lado com outras iniciativas internacionais de referência, como a CaSDaR (Careers and Skills for Data-driven Research) Network+ e a 4TU.ResearchData.

A participação neste evento evidenciou a crescente relevância da data stewardship para a investigação, bem como a importância de criar e fortalecer comunidades de prática e redes colaborativas que apoiem os investigadores na gestão, partilha e reutilização eficaz dos seus dados.

A sessão conjunta organizada pelo RDA Data Steward Career Tracks Working Group e pelo RDA Professionalising Data Stewardship Interest Group centrou-se na profissionalização, no valor e no impacto da atividade dos data stewards. O elevado interesse da comunidade refletiu-se numa sessão que esgotou a capacidade da sala, demonstrando o forte compromisso internacional com o desenvolvimento desta profissão emergente.

Durante a sessão, foram discutidos os avanços alcançados no reconhecimento da data stewardship, mas também os desafios que persistem. Entre os principais temas identificados destacaram-se a necessidade de garantir financiamento sustentável para serviços de apoio à gestão de dados, o reforço da formação especializada e a criação de percursos profissionais atrativos e reconhecidos para os data stewards.

A Rede Portuguesa de Data Stewards contribuiu para o debate apresentando o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em Portugal para promover a profissionalização da área, reforçar a colaboração entre instituições e apoiar a implementação de boas práticas de gestão de dados de investigação.

Apresentação disponível: https://doi.org/10.5281/zenodo.23193471

No passado dia 17 de setembro de 2026, a Rede Portuguesa de Data Stewards participou na sexta reunião da comunidade checa de Data Stewards, realizada na Biblioteca Nacional de Tecnologia, em Praga (Chéquia). O encontro reuniu profissionais e especialistas de vários países europeus para discutir a evolução da gestão de dados de investigação, o papel dos Data Stewards e os desafios emergentes associados à utilização de inteligência artificial no apoio à gestão de dados de investigação.

A participação portuguesa ficou a cargo de Clara Boavida, que apresentou a experiência da Rede Portuguesa de Data Stewards, destacando o trabalho desenvolvido para promover a capacitação, a colaboração entre instituições e o fortalecimento da comunidade nacional de profissionais que apoiam a gestão e partilha de dados de investigação. A apresentação integrou uma sessão internacional que contou também com contribuições da Áustria e da Polónia, proporcionando uma oportunidade única para comparar diferentes modelos de apoio aos investigadores e estratégias de desenvolvimento de comunidades profissionais de Data Stewards na Europa.

O programa do encontro evidenciou ainda a crescente relevância da inteligência artificial na gestão de dados de investigação, através da apresentação de vários casos práticos de utilização destas tecnologias em atividades de apoio à investigação. Foram discutidas aplicações de IA em ferramentas de planeamento da gestão de dados, no desenvolvimento de soluções científicas baseadas em agentes de IA e na criação automatizada de documentação de apoio aos conjuntos de dados. Os participantes sublinharam, contudo, a importância de manter mecanismos de supervisão humana e de validação rigorosa dos resultados produzidos por estas ferramentas.

Outro dos temas abordados foi a publicação e reutilização dos chamados dados de investigação negativos, incluindo resultados obtidos em circunstâncias inesperadas ou que não conduziram aos resultados inicialmente pretendidos, mas que podem representar um importante contributo para a transparência e integridade da investigação científica.

O encontro terminou com um debate dedicado ao papel dos Data Stewards nas instituições de investigação e ensino superior, reforçando a importância destas comunidades para a partilha de experiências, o desenvolvimento de competências e a consolidação de boas práticas de gestão de dados de investigação. 

Para a Rede Portuguesa de Data Stewards, a participação neste evento constituiu uma oportunidade relevante para dar visibilidade ao trabalho desenvolvido em Portugal, reforçar ligações com iniciativas congéneres europeias e contribuir para o intercâmbio de conhecimento e experiências que apoiam o avanço da Ciência Aberta e da gestão responsável de dados de investigação.

Fonte: European Open Science Cloud (EOSC CZ), “Data stewardship across Europe: practical experience, AI and community exchange in Prague”, publicado em 22 de setembro de 2026 em: https://www.eosc.cz/en/news-and-events/news/ds-community-prague-2026

O Re.Data anuncia a abertura de candidaturas para a 2.ª edição do Bootcamp de formação de Data Stewards, integrado no seu programa de formação, na vertente de especialização profissional.

Especialmente dirigido a profissionais de apoio à investigação e à gestão de dados, este bootcamp visa reforçar competências em curadoria, gestão e administração de dados, permitindo aos participantes terem contacto com atividades do foro mais prático.

A formação decorrerá em regime híbrido – online (2, 4, 6, 9, 11 e 13 de novembro, das 09h30 às 13h00) e presencial (18 de novembro, na Universidade da Beira Interior, Covilhã, das 10h00 às 17h00).

A sessão presencial antecede a realização da 13.ª edição do Fórum GDI, que terá lugar na Universidade da Beira Interior, nos dias 19 e 20 de novembro.

Formulário de candidatura: [AQUI].

Datas importantes:

Candidaturas: 17 junho a 14 de setembro

Notificações aos candidatos: 18 setembro

Programa final: 7 de outubro

*A notícia está acessível neste endereço: https://datastewards.ie/tg7-newsletter/*

As redes europeias de data stewards estão a consolidar-se como estruturas essenciais para apoiar a gestão de dados de investigação num ecossistema científico cada vez mais orientado para os princípios FAIR e para a Ciência Aberta. Em vários países, estas redes assumem um papel estratégico na capacitação de profissionais, no desenvolvimento de políticas e na criação de infraestruturas de suporte. Entre estas iniciativas, a Rede Portuguesa de Data Stewards  tem-se afirmado como um exemplo particularmente dinâmico e em rápido desenvolvimento, recebendo crescente visibilidade em eventos e relatórios internacionais.

🌍 Um movimento europeu em expansão

A criação de redes nacionais de data stewards tem sido impulsionada por iniciativas europeias ligadas à Ciência Aberta, com destaque para projetos como o EOSC Focus e grupos especializados como o Professionalising Data Stewardship Interest Group da Research Data Alliance. Este grupo coordena várias task groups dedicadas a temas fundamentais, incluindo perfis profissionais, carreiras, formação, certificação e redes de conhecimento como a TG7, centrada precisamente em networking e troca de experiências entre data stewards a nível internacional. 

Em paralelo, países como a Irlanda têm investido na criação de redes formais, como a Sonraí – Irish Data Stewardship Network, estabelecida com financiamento nacional e cujo objetivo é consolidar competências e desenvolver o ecossistema FAIR de forma sustentável. 

Estas iniciativas mostram que a profissionalização da gestão de dados deixou de ser um tema emergente para se tornar uma prioridade estrutural no panorama europeu de investigação.

Portugal assume destaque crescente na área

A Rede Portuguesa de Data Stewards tem vindo a destacar-se pela sua organização, visibilidade e capacidade de mobilização da comunidade nacional. Formalizada no contexto das atividades Re.Data, a rede integra profissionais de diversas instituições e tem ganho relevância através de apresentações em eventos europeus e da produção de documentos estruturantes. 

🤝 Cooperação entre redes: o valor da internacionalização

A ligação entre redes nacionais é promovida, entre outros espaços, pela TG7 do grupo da RDA, que atua como ponto de encontro para comunidades internacionais de data stewards. 

A partilha de práticas, o desenvolvimento de materiais comuns e o reconhecimento mútuo de competências têm permitido fortalecer a identidade profissional dos data stewards e acelerar a adoção de práticas FAIR.

Nesse contexto, a atuação portuguesa tem sido reconhecida, integrando discussões, contribuindo para relatórios, exemplos abaixo, e acolhendo iniciativas de disseminação que elevam o perfil da rede a nível europeu.

Sharma, C. J. M., Holmstrand, K. F., Rauste, P., Ekman, O., Rebernig-Hedman, C. A., Fogtmann-Schulz, A., Drachen, T. M., Vlachos, E., CALDONI, G., Boavida, C. P., Eerland, A., Brinkman, L., Pasquale, V., Osmenaj, E., Rainer, H., Ritschard, E., & Kiesel, M. (2025). M6.2 New Professional Networks.

Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.16535740

Sanchez Solis, B., Galica, N., Pazik-Aybar, A., & Vins, D. (2025). Open Science Guide: RDM & FAIR Training Framework for RPOs.

Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.15124383

A Rede Portuguesa Da Data Stewards continua a crescer, contando já com 107 membros em todo o país, e destacou-se em 2025 com a realização de um workshop nacional sobre ELNs, um inquérito nacional aos profissionais de apoio à gestão de dados e a apresentação pública de um perfil emergente de competências para data stewards. 

Para 2026, estão previstas cinco sessões temáticas, incluindo um evento pré‑Fórum GDI, sendo que a próxima, em março, será dedicada aos electronic laboratory notebooks.

A Rede Portuguesa de Data Stewards, coordenada pelo consórcio ReData, está a promover um inquérito nacional sobre o papel dos profissionais de apoio à gestão de dados de investigação – os chamados Data Stewards.

Sabemos que, em Portugal, as funções destes profissionais assumem diferentes formas consoante o contexto, mas partilham sempre o mesmo objetivo: apoiar a gestão de dados de investigação.

Para nos ajudar a compreender as diferentes abordagens existentes em Portugal, convidamos todos os profissionais cujas funções estão relacionadas com o apoio à gestão de dados de investigação, a participar neste estudo, contribuindo para uma melhor compreensão das práticas e realidades existentes no panorama nacional.

A participação consiste no preenchimento de um breve questionário, cuja duração estimada é de cerca de 10 minutos, acessível através do seguinte link: Questionário

O apoio da comunidade na disseminação deste questionário é de inestimável importância para o sucesso deste estudo e para o fortalecimento da comunidade nacional de apoio à gestão de dados de investigação. Contamos com a sua participação!

Texto publicado em nome: Clara Boavida (ISCTE), membro do consórcio ReData