Como preservar, organizar e dar nova vida a legados disponíveis em acesso aberto?
Como transformar património documental em conhecimento aberto, sustentável e reutilizável?
De que forma a gestão e a partilha de dados de investigação potenciam a preservação, a reutilização e o impacto do conhecimento?
DESCRIÇÃO
O Arquivo Musical JMB e a Base de Dados do CEDJMB-ML constituem duas iniciativas complementares de organização, preservação e disponibilização em acesso aberto de património documental associado a José Mário Branco.
O Arquivo Musical JMB agrega documentação relacionada com a atividade musical do artista ao longo de mais de cinco décadas, disponibilizando descrições arquivísticas e respetivos objetos digitais, bem como informação sobre a sua rede artística, discografia e repertório musical. Paralelamente, a Base de Dados do CEDJMB-ML disponibiliza a descrição arquivística de todo o arquivo pessoal de José Mário Branco, abrangendo documentação para além da componente estritamente musical e permitindo igualmente o acesso aos objetos digitais associados.
Estas iniciativas representam um esforço de valorização, preservação digital e disseminação de património documental de elevado interesse científico, cultural e histórico. A disponibilização pública da informação tem permitido ampliar o acesso às fontes, apoiar novas investigações e contribuir para a promoção dos princípios da Ciência Aberta no domínio das Humanidades e das Ciências Sociais.
TRÊS LIÇÕES APRENDIDAS
Planear a gestão de dados desde o início do projeto
Uma das principais lições aprendidas foi a importância de definir, logo nas fases iniciais dos projetos, procedimentos claros para o armazenamento, organização, digitalização e partilha da informação. A definição antecipada de práticas de gestão de dados e a elaboração de um plano de gestão contribuem para uma melhor preservação da informação ao longo de todo o seu ciclo de vida.
Integrar a preservação digital como componente estratégica
A experiência demonstrou que a preservação digital não deve ser encarada como uma etapa final, mas sim como um elemento estruturante desde o início dos projetos. É essencial planear estratégias que contemplem não apenas os conteúdos digitais, mas também a metainformação que lhes está associada, garantindo a sua acessibilidade e reutilização futuras
Investir em apoio especializado e capacitação
A gestão e partilha de dados requerem competências técnicas específicas. O acesso continuado a equipas de apoio especializado e a promoção de ações de formação dirigidas a investigadores e técnicos revelam-se fundamentais para assegurar a adoção consistente de boas práticas e a sustentabilidade dos projetos.
TRÊS DESAFIOS FUTUROS
Assegurar a sustentabilidade das plataformas digitais
Um dos principais desafios consiste em garantir a manutenção e disponibilidade online, a longo prazo, dos sítios web que suportam ambas as iniciativas. Tal exige recursos humanos e técnicos permanentes, bem como a continuidade do envolvimento institucional das entidades responsáveis e parceiras.
Reforçar as estratégias de preservação digital
A implementação de mecanismos adicionais de preservação digital constitui uma prioridade para o futuro. Entre as possibilidades identificadas encontram-se a exportação sistemática dos dados para infraestruturas agregadoras como o ROSSIO, o arquivamento regular dos sítios web através do Arquivo.pt e a eventual integração de soluções como o Archivematica, especialmente adequadas à preservação de sistemas baseados em AtoM.
Gerir os desafios éticos e legais da disponibilização de arquivos pessoais
O alargamento do acesso à documentação implica uma atenção crescente às questões relacionadas com privacidade, proteção de dados e ética. À medida que mais documentos são disponibilizados, aumenta a probabilidade de surgirem situações envolvendo informação de terceiros, exigindo uma avaliação contínua dos riscos associados à divulgação pública da documentação.
CINCO QUESTÕES SOBRE GDI
Como define, implementa e avalia as práticas de gestão de dados de investigação?
A experiência acumulada permitiu reconhecer que ainda existem oportunidades de melhoria na gestão e partilha dos dados produzidos e disponibilizados. Inicialmente, a disponibilização em livre acesso foi encarada como condição suficiente para assegurar a disseminação da informação. Contudo, a evolução das práticas de gestão de dados demonstrou a necessidade de adotar abordagens mais estruturadas, incluindo a reutilização de infraestruturas de agregação e partilha de informação, como o ROSSIO.
A equipa reconhece atualmente a importância de reavaliar periodicamente as estratégias de divulgação, interoperabilidade e preservação digital dos dados e metadados produzidos, de modo a maximizar a sua visibilidade, reutilização e sustentabilidade.
Quais os principais benefícios dessas práticas?
As práticas de gestão de dados contribuem diretamente para reforçar a preservação digital da informação. A existência de cópias, exportações ou partilhas dos dados e metadados em diferentes plataformas reduz os riscos associados à perda de informação ou à indisponibilidade dos sistemas originais, aumentando a segurança e a resiliência dos recursos digitais.
Em que medida a gestão de dados de investigação contribui para a otimização do processo de investigação?
A adoção de procedimentos comuns e critérios consistentes facilita a organização, submissão, descrição e recuperação da informação. Como consequência, investigadores e equipas beneficiam de processos mais eficientes, reduzindo o tempo despendido em tarefas administrativas e promovendo condições mais favoráveis para a colaboração entre projetos e instituições.
Que vantagens e condicionantes aponta na partilha de dados de investigação?
A principal vantagem identificada é a promoção dos princípios da Ciência Aberta, permitindo ampliar o acesso à informação, fomentar a sua reutilização e potenciar a produção de novo conhecimento.
Entre as principais condicionantes destacam-se as limitações de natureza legal e ética associadas à disponibilização pública de documentação proveniente de arquivos pessoais. Estas questões exigem uma análise permanente dos conteúdos a disponibilizar e dos potenciais impactos decorrentes da sua divulgação.
De que forma os diferentes atores envolvidos no processo de investigação estão comprometidos com a gestão de dados de investigação?
O envolvimento de estruturas especializadas de apoio à gestão de dados constitui um fator determinante para a adoção de boas práticas. Neste contexto, o NDDI – Núcleo de Desenvolvimento Digital da Investigação da NOVA FCSH, é apontado como um exemplo relevante de apoio institucional aos investigadores e projetos.
Verifica-se igualmente uma crescente sensibilização da comunidade científica para a importância da gestão de dados de investigação, sendo cada vez mais frequente a integração destas preocupações nas fases iniciais dos projetos. Apesar desta evolução positiva, continua a ser necessário reforçar a formação, a capacitação e o apoio institucional, cabendo às universidades um papel central na promoção desta cultura de gestão e partilha de dados.

Disponível em breve
PROJETO
Arquivo Musical JMB e Base de Dados do CEDJMB-ML
ENTIDADES
INVESTIGADORA
ENTREVISTADA
A INVESTIGADORA
RESPONDE
(Vídeo disponível em breve)
CINCO QUESTÕES SOBRE GDI
DOMÍNIOS CIENTÍFICOS
Ciências Sociais e Humanas
ETAPAS DO CICLO DE VIDA DOS DADOS
Recolha
Preservação
Partilha
DATA DE RECOLHA
Julho de 2026




